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A globalização na história das ideias

 Por Carlos Ascensão

O termo “globalização” banalizou-se ao longo das duas últimas décadas, havendo registos do seu uso por académicos em 1972 por Modelski[1].

 

A globalização na história das ideias

 
No entanto, desde o advento do capitalismo industrial que se reconhecem fenómenos semelhantes aos que têm chamado a atenção dos teóricos actuais da globalização.
 
Já no século XIX e princípio do século XX se faziam alusões a experiências de distância e de espaço, com o aparecimento da formas de transporte mais velozes, como o transporte ferroviário e aeronáutico, assim como de novas formas de comunicação, como o telégrafo e o telefone. Isto provocou profundas mudanças nas possibilidades de interacção humana.
 
Muito antes da introdução do termo globalização, o aparecimento de novas formas de alta velocidade da actividade social gerou amplos comentários acerca da compressão do espaço.
 
Um jornalista inglês escreveu em 1839 sobre as implicações das viagens de comboio que “aniquilavam” as distâncias ao ponto do território nacional se reduzir a uma “imensa cidade”.
 
Karl Marx formulou em 1848 a primeira explicação teórica sobre o sentimento de compressão territorial que tanto fascinava os seus contemporâneos. Dizia ele que, apesar dos seus males como instrumentos de exploração capitalista, as novas tecnologias aumentaram as possibilidades de interacção humana através das fronteiras, facto que representava uma força progressista da história.
 
Em 1904 Henry Adams dissertou sobre a “lei da aceleração”, que explicava a importância da evolução espacial e temporal da actividade humana para o desenvolvimento social.
 
A proliferação das tecnologias de alta velocidade é porventura a principal fonte de referências no meio intelectual desde 1950 acerca da “aniquilação da distância”.
 
Nos tempos de hoje teóricos sobre a globalização falam em “desterritorialização”, segundo a qual uma crescente variedade de actividades humanas ocorre independentemente da localização geográfica dos seus participantes.
 
Globalização refere-se pois a maiores possibilidades de acção entre as pessoas, sendo indiferente a questão latitudinal e longitudinal.
 
O território já não tem o sentido tradicional dum espaço geograficamente identificável. Já não representa a totalidade do “espaço social”, no qual a actividade humana ocorre.
 
Assim, globalização refere-se a novas formas de actividade social não territorial.
 
A proliferação do transporte de alta velocidade, da comunicação e das tecnologias de informação constitui assim a fonte mais imediata para o esbatimento ou mesmo abolição das fronteiras territoriais e geográficas.
 
Por outro lado sabemos que a existência de fluxos transfronteiriços e de intercâmbio de novas formas de produção, proporcionam que uma mesma mercadoria seja fabricada em diversos cantos do globo. Novos métodos organizacionais são empregados por empresas que operam transnacionalmente (também designadas por “global players”) com grande eficácia.
 
O aparecimento de “em torno do mundo, em redor do relógio” dos mercados financeiros, onde avultadas transacções são realizadas no ciberespaço num “piscar de olhos” representa um exemplo da globalização económica.
 


[1] Fonte: https://faculty.washington.edu/modelski/Global4.html.html
   
Autor Carlos Ascensão