SEO e ética
Quando surgiram os primeiros filmes de cowboys do Oeste americano havia uma pequena contingência: eram a preto e branco.
Para mais facilmente se distinguirem os bons dos maus da fita, davam-se chapéus brancos aos bons e pretos aos maus.
Vem isto a propósito porque no mundo SEO (Search Engine Optimization) actual perdura a dicotomia “white hat” e “black hat”.
Infelizmente, para os SEO (Search Engine Optimizers) white hat existem os black hat, provocando danos na imagem duma indústria que começa a dar os primeiros passos.
—Mas, visto que os SEO black hat não usam chapéu, como reconhecer um?
Tal como aqueles anúncios de televendas que lhe prometem emagrecer 5 quilos, bastando vestir um artefacto e ligá-lo à electricidade, se lhe aparecer alguém a prometer-lhe que coloca o seu site nos 10 primeiros lugares do Google (ou, como também é frequente, “no topo dos motores de busca”), ora aí tem um bom indício de estar perante um SEO black hat.
Porquê?
Porque ninguém pode garantir determinada posição nos motores de busca. Se lhe propuserem isso, preste muita atenção às letras minúsculas que estão nas costas do contrato.
Imaginemos que você tem uma empresa de revenda de equipamento informático chamada “ChipMusgueira, Lda.”. Provavelmente nas letras pequeninas do contrato faz-se a ressalva de que você irá aparecer na primeira página do Google sempre que pesquisarem pelo nome da sua empresa. E é natural que nesse caso a pesquisa devolva o seu site no topo da página de resultados, pois não há outra com o mesmo nome. Mas quem é que vai fazer uma pesquisa por “ChipMusgueira, Lda.” para além de você e o seu concorrente mais próximo?
—Ah, mas disseram-me que se pode pagar para aparecer no topo dos motores de busca.
Claro! Nos anúncios de contexto. Você escolhe determinadas palavras-chave. Sempre que houver alguém a pesquisar os termos que você escolheu o seu anúncio aparece. Só que isso é diferente. O papel dos SEO consiste em optimizar os sites para incrementar a sua classificação pelos motores de busca. SEO tem a ver com os resultados orgânicos, naturais, e não com publicidade.
Exemplos de práticas black hat:
1. Uso de texto ou links ocultos.
Se o seu Webmaster ou “SEO” lhe propuserem a colocação de texto ou links com uma cor igual à do fundo, tornando-os invisíveis para humanos, e visíveis para os motores de busca, proíba-o.
Exemplos concretos do que NÃO fazer:
a) Usar texto branco sobre fundo branco;
b) Usar folhas de estilo CSS para esconder texto, por exemplo, reduzindo-o ao tamanho de um pixel;
c) Colocar texto por trás duma imagem;
d) Formatar o tamanho da letra para zero;
e) Dissimular links em caracteres minúsculos, por exemplo, numa vírgula no meio dum parágrafo:
2. Uso de redireccionamentos não autorizados (Javascript redirects / doorway pages) ou de camuflagem do verdadeiro conteúdo da página (cloaking).
Exemplos concretos do que NÃO fazer:
a) Disponibilizar aos motores de busca uma página em HTML, apresentando aos visitantes uma página em Flash;
b) Apresentar um conteúdo aos motores de busca e outro aos visitantes;
3. Uso de palavras-chave incoerentes e desconexas do conteúdo da página.
Como saber se está a usar as palavras-chave correctas? Coloque-se no lugar do visitante e avalie se irá ou não defraudar as suas expectativas.
4. Uso de conteúdo duplicado em várias páginas, dentro ou fora do mesmo site.
Exemplos do que DEVE fazer:
a)
Se o seu site tem versões para impressão ou se publica artigos iguais em diversas páginas, considere usar
arquivos robots.txt. Isso evitará que os motores de busca decidam qual a melhor versão para indexarem.
c) Se tem textos comuns em várias páginas (política de privacidade, copyright, etc.), coloque-os numa página específica e substitua-os por links para essa página.
SEO desempenhada com ética beneficia todos os intervenientes.
- Motores de busca.
A criação de páginas optimizadas de forma ética facilita a tarefa de indexação de páginas relevantes e coerentes com o termo pesquisado. - Utilizadores.
Quando pesquisam por “Sócrates filósofo” recebem apenas resultados sobre o filósofo e não sobre programas comunitários ou cursos de engenharia. - Donos dos sites.
A filtragem de visitantes é facilitada, pois o site receberá apenas tráfego qualificado (ou seja, motivado para negociar) e não “pinguins” que mais não fazem do que aumentar os contadores de visitas distorcendo a sua percepção de eficácia do site.
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